quarta-feira, 26 de agosto de 2015

A Casa é Sua

Dez anos depois, ele me aparece. O interfone tocou, o porteiro anunciou seu nome. Tremi e pensei, “não pode ser”. Sentimentos misturados – torci pelo engano. Mas um lado dentro de mim, ardentemente desejava que fosse ele. E era. Deixei que subisse. Meu coração disparou – tive a impressão que pulsava no pescoço, querendo sair pela boca.

A campainha tocou, tentei ser natural, respirei fundo e abri a porta. Olhei pra ele, nitidamente mais magro. Ele me olhou, acho que percebeu que os meus cabelos estavam mais brancos. Dez anos! Uma lágrima mal disfarçada rolou na sua face, meio que gaguejando, perguntou:

 – “Posso entrar?”
Com a voz embargada, a frase ensaiada por tanto tempo saiu pela minha boca:
– “Entra, filho, a casa continua sendo sua”.

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