sábado, 29 de agosto de 2015

Mais que Palavras

“Ide e anunciai a João o que vistes e ouvistes...” (Lc 7:22).

Quando criança, eu ficava muito irritado nas vezes que duvidavam de mim. Na adolescência e juventude, parece que esse sentimento ganhou mais força ainda. Quando dizia algo e alguém não acreditava no que eu estava dizendo, minha cabeça fervia. Confesso que levou tempo para me livrar dessa limitação. Hoje não me incomodo mais, às vezes simplesmente lamento quando não acreditam nas minhas propostas. Lamento não por mim, mas por ver que alguém poderia ter um desenrolar de vida bem melhor do que aquele que se desenha diante da dúvida e até mesmo do pouco caso frente à palavra do profeta.
Quando João Batista esteve frente a frente com Jesus no Rio Jordão, a princípio, o profeta não quis batizá-lo, confessando que ele é que precisava ser batizado por Jesus:
 – “Eu é que preciso ser batizado por ti, e vens tu a mim” (Mt 3:14).
Então o Senhor aquietou a sua alma, dizendo:
– “Deixa por agora, porque assim convém que se cumpra toda a justiça” (Mt 3:15).
Em outra ocasião, João vê Jesus passar e declara publicamente:
– “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1:36).
Entretanto, depois desses reconhecimentos públicos, certo dia, João chama os seus discípulos e lhes dá uma missão. Eles deveriam ir até Jesus e perguntar se realmente Ele era o que estava para vir, ou eles deveriam esperar outro. Que atitude surpreendente. Depois de todas aquelas reveladoras declarações, João Batista é tomado de dúvida.
Certamente, o estilo do ministério de Jesus foi bem diferente do estilo do ministério de João. Jesus se assentou, comeu e bebeu com publicanos e pecadores. João Batista jamais adotaria um comportamento assim. Então, a revelação do Espírito foi confrontada pela imagem do Messias construída por João na sua própria mente.
  “Será que é ele, ou tem outro ainda para vir? ”
 Que coisa incrível, como alguém depois de declarar que Jesus era o Cordeiro, depois de relutar em batizá-lo por reconhecer que necessitava do batismo do Senhor e não o contrário, de repente deixar-se dominar pela dúvida a ponto de enviar mensageiros com aquela pergunta pouco elegante.
Sabe o que Jesus respondeu quando os discípulos de João lhe perguntaram se era Ele ou haveria outro? Nada. Isso mesmo, Jesus não falou nada. Diz a Bíblia que na mesma hora, Jesus curou os enfermos, libertou os endemoninhados e deu vista a muitos cegos. Então, depois de ter feito isso, disse aos enviados de João:
– “Ide e anunciai a João o que vistes e ouvistes...” (Lc 7:21-22).
Mais do que falar, Jesus fez. Esse é o princípio. Quando possíveis dúvidas surgirem a seu respeito, simplesmente não diga nada. Não tente se justificar, não tente se explicar, não se irrite. Simplesmente viva. Simplesmente faça. Os argumentos da dúvida caem diante dos fatos. Aquilo que somos é o que deve falar por nós.

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