terça-feira, 15 de setembro de 2015

Restauração

“Pedro entristeceu-se por ele lhe ter dito, pela terceira vez: Tu me amas? E respondeu-lhe: Senhor, tu sabes todas as coisas, tu sabes que eu te amo”. (Jo 21:17)

Lá estavam eles, assentados lado a lado junto ao braseiro improvisado, onde os peixes assavam. A situação era constrangedora. Ele não era nem sombra daquele homem impetuoso dos últimos três anos. Aquele que liderava as conversas, que determinava os assuntos do grupo, que estava sempre pronto a responder às perguntas do Mestre. Dessa vez é diferente, ele não consegue quebrar o silêncio, nem ousa se explicar. Limita-se a olhar o fogo que está à sua frente, onde a refeição está sendo preparada. Fogo que o remete às lembranças recentes. Há poucos dias ele estava em frente ao fogo no pátio da casa do sumo sacerdote, assentado com pecadores que aguardavam a decisão do sinédrio sobre o que fariam com o Senhor. Fogo que testemunhou a sua tríplice negação, conforme o próprio Mestre lhe avisara que faria. O galo cantou e a sua mente foi acionada. Ao se lembrar do que fora dito por Jesus – “Me negarás três vezes antes que o galo cante” – desaba num choro amargo.   
O Mestre foi condenado, sofreu nas mãos dos pecadores. O Mestre morreu, mas também ressuscitou e, agora, está ali assentado ao seu lado em frente ao Mar da Galileia, palco de tantos milagres. Mas o que dizer? O que falar numa situação como aquela? Consciente da sua limitação, aquele homem outrora impulsivo, permanece em silêncio fitando firmemente o fogo. Então o Mestre rompe o silêncio e pergunta:
“Simão, filho de João, amas-me mais do que estes outros? (Jo 21:16)
Ele responde que sim. Jesus pergunta novamente. Ele repete a resposta. Mas Jesus insiste e faz a mesma pergunta pela terceira vez, e Pedro se entristece, e responde diferente:
“Senhor, tu sabes todas as coisas, tu sabes que eu te amo”. (Jo 21:17)
Eis o ponto principal. Ele sabe todas as coisas. Conhece todas as nossas limitações, as nossas debilidades, medos e fracassos. Mas o que interessa para Ele é se de fato o amamos, se estamos dispostos em nome desse amor cuidar das suas ovelhas, apascentar o seu rebanho, pastorear os pequeninos. Ainda que estejamos desapontados com o que fizemos, ainda que não tenhamos nem coragem de romper o silêncio, de nos acharmos incapazes, de não merecermos tamanha graça, a pergunta que o Senhor sempre fará é essa:
“Tu me amas?”
Se a resposta for sim, Ele vai dizer: Siga em frente, conto contigo no meu projeto. Portanto, se você está decepcionado consigo mesmo, diga sim, Senhor, tu sabes todas as coisas, tu sabes que eu te amo.

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